Avô Carlos… Miguel Torga… um poema

Hoje fazia anos o meu Avô Grilo, a ele dedico este poema de um grande poeta transmontano, como nós dois…

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ESPERANÇA


Canto.

Mas o meu canto é triste.

Não sou capaz de nenhum outro, agora.

Em cada verso chora

Uma ilusão,

Tolhida na amplidão

Que lhe  sonhei…

Felizmente que sei

Cantar sem pressa.

Que sei recomeçar…

Que sei que há uma promessa

No acto de cantar…

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4 Comments

  1. “Sempre há uma promessa no acto de cantar”…
    promete-se,
    quer-se,
    sonha-se,
    deseja-se…

    canta-se.
    a vida,
    o desejo,
    o sonho…
    tudo se canta,
    pois ao cantar
    a alma se liberta
    do jugo pelo Ser criado
    abre as asas amplamente
    alça vôo
    e atinge o imaginado…

  2. Miguel Torga e o forte Lirismo da Libertação do Ser

    Um dos maiores poetas da língua portuguesa é conhecido como Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correa da Rocha.

    Escreve poesias que ultrapassam, a meu ver, a poesia em si. São poesias líricas, fortes, objetivas, que são demonstrações do valor intrínseco do mistér do poeta: não só ‘cantar’, mas, e principalmente, exortar seus semelhantes a viver com toda a intensidade, o milagre que é a vida.

    O poder da palavra, a força que pode ela infundir na alma que procura seus caminhos.

    As trevas que podem tornar-se luz vivificante que a todos os caminhos alumia. Para ele, Torga, a poesia não é, pois, apenas uma declaração pessoal de sentimentos (o que, por si só pode ser profundamente belo)… A poesia de Torga, transmite-nos muito mais: a chamada ao Ser, para que exerça fundamental e conscientemente todas as suas reais potencialidades.

    Escreve Torga :

    “Canta, poeta, canta!
    Violenta o silêncio conformado.
    Cega com outra luz a luz do dia.
    Desassossega o mundo sossegado.
    Ensina a cada alma a sua rebeldia.”

    Ou seja:

    O poeta canta (o poeta é poesia…); o poeta violenta o silêncio, pois é por natureza, um ser inconformado;o poeta cega com outra luz’ (as palavras, os versos claros…) a luz do dia; o poeta desassossega o mundo’sossegado'( o mundo que com a realidade se conforma ,podendo, inclusive estar alienado; o poeta ensina à cada alma a sua rebeldia (mostra as possibilidades/probabilidades latentes em cada alma, para que lute, no sentido de alcançar o que almeja, o que necessita fundamentalmente para realizar-se como criatura)

    O “cantar” de Miguel Torga, é o cantar mesmo das almas desassossegadas, ‘presas’, tolhidas, mas que ainda sonham em encontrar as forças todas necessárias dentro de si para enfim, libertarem-se dos grilhões aos quais sentem-se presas.

    A liberdade da alma por ele cantada não é utópica, mas sonho mesmo de liberdade que poderá transformar-se em palpitante realidade.

    Amigos , cantemos todos e unamos nossas almas para que possamos vir a ser os construtores de um mundo melhor !

    NOTA: Inspirada em Torga, não só escrevi “Meus Cantares”, como o “Despertar do Ser”, inscritas em “Talentos”, mas não classificadas.

    Os leitores poderão captar a vigorosa mensagem que envio para todos quantos as lerem e tiverem sensibilidade para absorver, em suas almas, tão fortes e incentivadoras mensagens.

    Graças rendo a Deus e a Miguel Torga!

    Mirna Cavalcanti de Albuquerque

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